Rafaella continuava a dormir feito uma pequena criança, suas mãos estavam em baixo do seu rosto enquanto uma mecha fina de seus longos cabelos cobriam parte do seu nariz. Passei minha mão de leve pela sua face sem intenção de acorda-la mas a mesma se mexeu e em seguida abriu um grande sorriso!
- Bom dia -disse se espreguiçando-
- Dormiu bem? -ela assentiu- não queria te acordar..
- Eu já estava acordada, tudo bem!
- O que vamos fazer hoje?
- É meu último dia na Espanha, pensei em descansar.
- Por isso mesmo amor, temos de aproveitar -disse a olhando-
Rafa se levantou e eu continuei deitado a observando, a mesma caminhou até sua mala que se encontrava em cima da mesa do computador e então começou a procurar uma roupa. Como pode ser tão perfeita? Realmente não consigo entender como ela não se ama, ela nunca amou as rugas nos seus olhos quando ela sorri, nunca amou sua barriga e coxas e muito menos as covinhas no final da sua espinha.. Mas eu as amarei para sempre.
- Júnior -disse um pouco mais alto-
- Hum?! -a olhei e a mesma sorria-
- Estou falando com você tem minutos!
- Desculpa, pode repetir? -ela assentiu-
- O que acha de irmos tomar café no Starbucks aqui da esquina?
A mesma já se encontrava sem roupa apenas enrolada na sua toalha amarela, enquanto eu tentava prestar atenção no seu lindo rosto e não no seu corpo irresistível.
- A Marcela pode fazer um café para nós, bem melhor que o de qualquer Starbucks -disse me levantando-
- Jú. -ela choramingou- Sei que você quer, que eu me de bem com a Marcela mas isso não vai adiantar -deu um pequeno sorriso-
- Ela é uma excelente cozinheira amor -envolvi seu corpo nos meus braços-
- Sei disso. -disse calmamente- eu só queria sair um pouco antes de ir! Não sei se meus pais vão deixar eu voltar, e .. -a interrompi-
- Fico pronto em dez minutos -selei seus lábios e ela sorriu-
[...]
O frio estava mais rigoroso do que nunca em Barcelona e eu me perguntava a todo instante se sair para rua nessa manhã de terça feira era mesmo a melhor coisa a se fazer, os meninos ainda estão dormindo assim como minha mãe e minha irmã Rafa e eu estou aqui a caminho do Starbucks mais perto da minha casa. Rafaella entrelaçou seus dedos nos meus e continuou a caminhar calmamente, ora vinha uma menina, ora um senhor, ora uma pequenina fã para tirar foto e então nossas mãos se soltavam, creio que já fizemos isso umas oito vezes.
- Amor -disse e então colocou o capuz do casaco-
- Hum? -disse a olhando- cansou?
- Muito, acho que preciso da minha bombinha -disse respirando rápido-
Peguei o pequeno objeto do bolso e entreguei para minha namorada, a mesma se sentou em um banco branco que havia na praça e então bombeou duas vezes o objeto, continuava a olhar para ela atentamente esperando alguma reação ou coisa do tipo, para nossa sorte nada aconteceu.
- Sobre a noite passada.. -ela disse um pouco ofegante-
- Rafa, olha não precisa se explicar!
- Preciso sim. - disse e colocou o dedo indicador em cima dos meus lábios- eu não consegui me ''concentrar'' por que preciso te contar uma coisa.
Arregalei os olhos tirando meu braço de cima dela em seguida, tomei distância e então me sentei de frente para ela. Meu coração disparou assim que vi que seus olhos estavam quase transbordando as lágrimas que ela tentava segurar, ergui minha mão e passei pelo seu rosto.
- Pode confiar em mim, você sabe né?!
- Sim. -soluçou- é que aconteceu uma coisa -disse e então tossiu-
- Conta -disse firme-
- Eu.. Eu estava grávida -disse rápido-
Como assim estava? Não está mais? o que está acontecendo!
-Estava? -perguntei trêmulo-
- Sim estava. Júnior, eu ia te contar já estava tudo pronto mas um dia antes de eu viajar para cá tive um sangramento e fui par o hospital, ninguém sabia queria que você fosse o primeiro. E então quando cheguei lá me deram a noticia de que eu tive um aborto espontâneo!
Senti meu rosto molhar e em minutos eu estava chorando assim como ela, Rafa se mexeu no banco e então tirou um envelope da bolsa, ergueu sua mão e eu peguei o envelope. Assim que eu abri o mesmo senti como se tivesse levado um tapa no rosto, era uma ecografia, mesmo sendo pequeno já era visível algumas partes do corpo do.. do meu filho!
- Me desculpa -ela disse entre soluços-
- Quando pretendia me contar? -disse baixo-
- Na hora certa -sei que ela está começando a se magoar comigo-
- Tem quanto tempo? -perguntei e a olhei-
- Três meses -respondeu rápido-
Três meses, meu filho morreu a três meses e eu nem sabia da sua existência. Mas que dor é essa que eu estou sentindo, meu Deus nunca senti nada igual!
Levantei a cabeça e a encarei a mesma me olhava com um olhar de piedade, mordi o lábio inferior e então a abracei o mais forte que eu consegui. Já passamos por tanta coisa mas nunca pensei nisso, nunca.
- Acha que conseguimos superar isso? -sussurrou contra meu pescoço-
- Sempre conseguimos -disse e então ela sorriu-
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Oiii. Não é a primeira vez que eu peço uma mini com meu nome. Mas eu peço de novo. Quero uma com o Neymar, pode ser?
ResponderExcluirLavínia Alencar